quinta-feira, 17 de julho de 2008

Será desta que pinto a caravana?!


Carreguem sobre a imagem para a ver maior.
Inspiração nas ilustrações de Camila Ingman!


À falta de domínio de Photoshops, Coreldraws e afins, foi mesmo em Autocad que tentei materializar uma das ideias que tinha em mente, acho que o meu puto T vai gostar!

Aceitam-se e agradecem-se sugestões!

segunda-feira, 30 de junho de 2008

What are little girls made of?



What are little girls made of?

Sugar and spice and all things nice
That’s what little girls are made of!

What are little boys made of?
Snips and snails, and puppy dogs tails
That’s what little boys are made of!


“(...) elas, as mulheres, pensavam em nós, concentravam-se perscrutavam, decidiam – aceitar-nos, rejeitar-nos, mudar-nos, matar-nos ou simplesmente viverem connosco(...)” *

Já nós pouco mais conseguimos fazer para além de nos entregar ao que mais gostamos, ao surf, à praia, a uma cerveja, ao sol, ao surf...

Sobra-nos, talvez, em determinadas ocasiões, pouca sensibilidade para lidar convosco.

Desculpem meninas, e nunca esperem muito do género masculino, de uma forma geral somos gente muito básica.

* Charles Bukowski - “Mulheres”

Idiossincrasias


Citando de cor uma passagem de um livro de História do meu 5º ou 6º ano, 'Se a história da Terra fosse cronologicamente encaixada num filme de 100 horas, o Homem aparecia nos últimos minutos'.

Porque acredito no binómio respeitar para ser respeitado, não sou adepto de quaisquer manifestações de localismo, mas ao olhar para todas voltas demos ao pico nesses últimos minutos, em muitos e tranquilos spots já há algum tempo nos tinham recambiado para areia sem que eu levantasse sequer um pingo de indignação. Vai-nos valendo o wu-wei'ian way de Gaia...

O meu activismo ambiental não vai além de algumas regras cívicas relativamente básicas. Os meus ideais políticos nunca foram algo que estendesse para fora de discussões mais acesas em rodas de amigos. Mas quando há real hipótese de alguém que já passou algum tempo em cima de uma prancha ocupar a cadeira mais mediática e decisiva do mundo, até em mim isso acaba por criar expectativas. Porquê?

Existem hoje desenvolvimentos tecnológicos tão avançados que a mim, como por certo a quase todos os que possam ler este texto e não sejam investigadores do CERN ou algo do género, soam a efeitos especiais. Simultaneamente, existem hoje retrocessos sociais tão gritantes que a mim, como por certo a todos os que possam ler este texto e não sejam Ditadores de Carreira, soam a passagens do guião d'A Guerra do Fogo. Mesmo quando as há, as demonstrações de consciência cívica local, nacional ou global, que de forma eficiente tentam conciliar as duas questões anteriores, de pôr a tecnologia ao serviço do bem comum, acabam por passar desapercebidas face à dimensão das disparidades. Isso é, à falta de melhor palavra, triste.

Já vimos que, a curto/médio prazo, o resultado de alguém aparentando vontade, mas numa posição não deliberativa, será um documentário para as massas e um conjunto de conferências de sensibilização para plateias, mais ou mais ainda abastadas. Conveniente ou não, é essa a verdade.

Mas... E se tudo isto mudasse?

E se a vontade férrea de alguém com capacidade deliberativa pudesse, realmente, marcar a diferença? E se, de alguém que já exasperou, cinco minutos que fosse, por falta de ondas - ou pior, pela sua existência mas impossibilidade de delas usufruir! – dependesse a decisão suprema do convergir das necessidades tecnológicas e sociais do Mundo? Então, porque nesse alguém existe o mesmo querer com que todos nós remamos para a primeira onda do dia depois de muito tempo sem surfar, não seria plausível pensar que essa decisão é possível?

A questão do Surf nesta equação é mais ou menos idiossincrásica. Eu vejo o correr de ondas de uma forma intensa, como outras pessoas verão outros aspectos das suas vidas, mas há algumas nuances que me fazem acreditar que esta argumentação assenta melhor sobre a água. Por exemplo, Carl Sagan, no seu livro Contacto, coloca esta questão: "[...] Seriam os mundos de civilizações mais avançadas totalmente geometrizados, inteiramente reconstruídos pelos seus habitantes? Ou a assinatura de uma civilização realmente avançada seria a de não deixar absolutamente nenhum sinal? [...]". Eu escolho o que estiver atrás da porta nº 2...

Como podem ler aqui, claro que estão lá os fatos, as pranchas e restantes acessórios, todos eles produzidos de e/ou com materiais poluentes, pelo que, por mais que nos queiram vender o contrário, esta ainda não é uma auto-estrada com via verde. Mas quando numa onda, por mais rápido que se vá ou maiores que sejam as 'nuvens de poeira', as marcas desse trilho são quase instantaneamente apagadas... E quando, em locais 'naturais', do mar olhamos as praias alisadas ou as encostas esculpidas, resultado daquelas 99 horas e alguns minutos de trabalho perseverante...

Mesmo que idiossincrasicamente, parece-me uma demonstração clara, qual combustão espontânea de conhecimento, livre e à distância de um olhar, de um caminho em que decisões civilizacionais poderiam ser baseadas. Se um dia destes vir o Obama no line-up pergunto-lhe se não podíamos experimentar esta aproximação na condução dos destinos do mundo:

Hey Obama, can we...

domingo, 29 de junho de 2008

Out of Time



E andámos tão ocupados ultimamente que quase nos esquecíamos que o mundo também gira delicada e deliciosamente para lá do tempo.

Recorremos ao essencial, tudo o resto me pareceu estar surpreendentemente à mão.

Vieste ter comigo e partimos de seguida, já de noite. Chegámos à praia um par de horas depois, ‘lançámos’ a tenda numa duna e estendemos-nos à Lua.

Por experiência levei uma garrafa, e pouco depois, rapidamente, naquela situação que me era tão estranhamente familiar, soltámos-nos do mundo para o nosso universo pessoal.


Amanhecer na 1ª linha de mar.


Orvalho matinal sobre a tenda.




Armérias, flora endémica lusitana.


Há sempre uma garrafa para beber e uma mulher para amar...


Não, não me esqueci da prancha... Foto pré-matinal solitária.

Fotos do próprio.

terça-feira, 27 de maio de 2008

Wo Hu Cang Long




Estive para deixar passar Maio sem escrever por, no que toca a ondas, lhe ter visto pouca virtude...

Voltei para casa, quase sempre soprado por ventos, adversos, soando a suspiros, desabafos. A perfeição também cansa e, segundo rezam as crónicas, foi um Inverno perfeito.

Tentei preencher esse tempo com o Método Miyagi de wax on, wax off (ou vice versa, para ser mais exacto) e um ou outro filme, mas a combinação olfactiva e visual dos dois teve um efeito contrário ao pretendido, inquietando-me.

O mandarim do título remete para um felino agachado, pressentindo perigo, e um dragão escondido, aguardando. E tem aqui tanto de prepotência como de delírio...


___"[...]
___I must go down to the seas again,

___________to the vagrant gypsy life,
___To the gull's way and the whale's way

___________where the wind's like a whetted knife;
___And all I ask is a merry yarn

___________from a laughing fellow-rover
___And quiet sleep and a sweet dream

___________when the long trick's over."
___John Masefield, Sea-Fever


segunda-feira, 5 de maio de 2008

Carneirinhos contemplativos em terreno baldio com vista para o Mar


Edward Hopper, "Rooms by the sea"

"Há aquelas noites em que nos deitamos e que mesmo cheios de sono não conseguimos dormir.

Sabes como é, não é?

Por vezes parece que o frenesim insiste em nos acompanhar, ou que a inquietude se instala, ou ainda que somos invadidos por todos os pensamentos do mundo de uma só vez.

Nessas noites, mais do que à contagem de carneirinhos a pular a cerca, costumo recorrer às maiores ondas que já surfei... e volto a dropá-las.

Sabes? Adoro mesmo aquela sensação de olhar para baixo e, convicto, seguir caminho!

Nessas minhas fantasias tenho ainda a mais-valia de tudo suceder em câmara lenta, dando espaço para um deleite infinito e absoluto desses, que costumam ser apenas, breves instantes.

Acho que, ao fim ao cabo, o que vou buscar neste exercício nocturno é aquela confiança de que fazemos uso para um drope bem sucedido, a mesma que nos faz acreditar, nos momentos que o precedem, na nossa capacidade para o realizarmos.

E isso é arma quanto baste para me fazer vencer qualquer dos eventuais problemas que se queiram vir deitar comigo!

Por isso, Vera, parece-me que fizeste bem em registar devidamente essas tuas primeiras experiências 'surfísticas'... de momento podem ser apenas uma recordação agradável, mas quem sabe se não te poderão um dia valer numa noite de insónia!

*
Pedro"

Em resposta ao Post da Vera no seu espaço Índigo, com a devida edição que se impunha, dada a hora a que foi feita.

terça-feira, 29 de abril de 2008

Amor-Perfeito


Vieste para ficar, disso não tenho dúvidas. Não é só o facto de seres uma conquista diária. Os teus diferentes estados de espírito, a volatilidade dos teus sentimentos e a reciprocidade dos meus, têm-me provado que não há razão para temer a tua fuga. Afinal, só fogem as coisas atrás das quais não se pode correr, e atrás de ti não há célula do meu corpo nem grama da minha alma que não galope. Tudo o que possa soar a cliché assenta-te como uma luva. São, aliás, criação tua. Sussurrar-te ao ouvido qualquer coisa que extrapole a simplicidade de um "Amo-te" é comprido demais para percorrer a distância que nos separa quando contigo me adormeço.