sábado, 14 de março de 2009
Samba em Prelúdio
Li uma vez na contra capa de um daqueles livros de conselhos filosóficos essenciais a uma vida calma e tranquila, que devemos educar os nossos filhos dando carinho para nossa cara metade. Como não passei daquela página, não sei bem se era assim. Mas, uma vez que há certas coisas que é difícil passar para palavras, peguei na melodia do mestre Jobim para exprimir aquilo que sinto e para partilhar convosco o nascimento do Pedro(!), começando desde já a educá-lo. O registo talvez seja um pouco piroso, mas também até já tinha avisado que, de quando em vez, me dava para aqui...
Texto de uma palavra só
Eis aqui este textinho, todo uma palavra só.
Outras, várias, o compõem, mas no fundo é uma só.
E usei de todas elas para tentar descrever
Essa outra que, dizê-la, diz tudo o que há para dizer.
Quantas vezes já saí correndo para apagar aquela chama,
Que arde e queima?
E ao chegar, sorrir-beijar-curtir… ainda mais a incendeia,
Mais alto a ateia!
Se seguir neste registo talvez pensem ser ‘paixão’...
É desejo, escrito e lido, mas tem mimo essa tesão.
Pois aquela que aqui escondo está para lá do á-bê-cê
E também agora um pouco além de eu e de você!
quinta-feira, 12 de março de 2009
Viva Mugen
Quad Round Pin - 6º shape!
A porta está aberta, aparece por cá sempre que quiseres. És muito bem-vindo.
Já andava há que tempos para adicionar o teu link do blog à nossa lista - desta é que foi.
Aproveito para aconselhar a visita ao teu estaminé a todos que, tal como eu, gostam de pranchas de surf feitas com o máximo rigor e arte - http://mugen2i.blogspot.com/
E, já agora, conto-te o seguinte:
De uma forma geral poupo a minha Ana aos meus interesses relacionados com surf, acima de tudo porque sei que ela, na verdade, se está a cagar para eles. Não o diz, não o demonstra, mas eu sei.
É do conhecimento geral que as mulheres, numa relação, enganam os homens nestas pequenas coisas desde que a Eva disse ao Adão que ele ficava bem só de parra.
Mas ia eu a dizer, que há descobertas que motivam um tal entusiasmo que têm mesmo de ser partilhadas. Nessas ocasiões lá a chateio.
Com a devida triagem ela observa atenta e não demonstra enfado. E até pode ser que ela me esteja a levar, mais uma vez, no seu olhar simulado, mas olha, eu pouco me importo, porque cumprindo o seu papel, ela lá me vai deixando dar largas à excitação.
Isto tudo para dizer que, cá em casa, a minha Ana é grande fã dos teus projectos... ao que parece!
Abraço
segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009
¡(H)ola!

Boden Sea, Uttwil, 1993, fotografia de Hiroshi Sugimoto
Marrocos, 6:20 da manhã.
Foi em passos felídeos e no maior dos silêncios que a vi atravessar a sala até à janela. Não sei o que me fez abrir os olhos ou o que me terá despertado naquele preciso momento, porque não houve qualquer ruído na sua passada ligeira, e o seu pisar ao de leve quase sugeria estar a galgar aquele espaço sem sequer tocar no chão. Mas acordei, e com a mesma serenidade, vi-a depois colocar-se em contra-luz e ficar assim imóvel, a beber da paisagem marítima que só daquela divisão da casa se podia usufruir.
Com inesperado deleite, lia-lhe agora a silhueta, e percorri de olhos vagarosos o seu contorno demarcado pela primeira luz do dia. Ela estava apenas de cuecas!
Acabado de acordar, ainda só me eram acessíveis os raciocínios mais simples e eu, na dúvida de ainda estar a sonhar, pensava o quanto ficavam bem as mulheres só de cuecas. As mamas tapava-as com as mãos, assim como elas o fazem de braços cruzados, a mão direita com a mama esquerda e a mão esquerda com a mama direita. E eu, básico, pensava também que gostava muito de mamas!
Simultaneamente emocionou-me e excitou-me o momento.
Com a adição dos tais raciocínios simples, os únicos que me estavam acessíveis, tentei entender o que me era oferecido tal qual idílica composição fotográfica. Uma mulher defronte a uma janela com vista para o mar; Uma mulher de cuecas e mamas ocultas nas mãos, defronte à minha janela marroquina sobre um mar magrebino; A beleza em forma de uma mulher quase desconhecida e que, só de cuecas, se resguardava ocultando as mamas nas mãos, defronte a um mar misterioso que a minha janela magrebina me oferecia na minha primeira viajem a Marrocos; Uma espanhola com quem partilhava a casa, quase nua, só de cuecas, a irromper na sala onde eu dormia segurando um belo par de mamas com as suas próprias mãos, aparecia misteriosa em contra-luz e contra-mar-desconhecido.
Silêncio. Cuecas e mamas que desejava tocar.
Porque o tempo parou, não saberei precisar a duração de todo aquele período em que ambos estivemos a encher o olhar.
Entretanto, senti-a inspirar fundo a paisagem, virou-se e caminhou em sentido contrário para a porta da sala, tomando agora o percurso em que inevitavelmente se cruzaria por mim, agora de frente, agora desperto, agora para cruzarmos o olhar.
Se eu tivesse ficado de olhos fechados ela poderia ter passado supondo-se bem sucedida naquela sua incursão que por curiosidade ou necessidade não conseguiu evitar. Mas eu, petrificado, não os fechei, e à sua passagem só me restou fazer o sorriso mais suave de que dispunha, levantar ligeiramente a mão e lançar-lhe quase em surdina um:
- ¡Hola!
Ela, visivelmente embaraçada, retribuiu o cumprimento e, de forma automática, também o gesto, levantando uma das mãos e mostrando o que até ali tinha tão bem conseguido esconder. Saiu, mas eu fiquei com clara noção que mais do que ter exposto o seu corpo, o que a envergonhou foi ter exposto a sua intimidade, sensibilidade e paixão pelo mar!
terça-feira, 20 de janeiro de 2009
Eastern Promisses
Adoro esta fotografia.
Há um bom par de anos vi-a numa Surfer que nesta altura será já um tesouro escondido e empoeirado no sótão de casa dos meus pais. Por isso não a posso creditar ao autor, mas lembro-me que na legenda se lia algo como “Trent Munro, West OZ”.
Já a classificaram de montagem. Dizem que a espuma do lip, penteada pelo offshore, não joga com a superfície de azeite sobre a qual se projecta ou que a palete de azuis é do photoshop. Não percebendo muito de fotografia, talvez até possam ser argumentos válidos, mas há ali um pormenor que me leva a crer na sua veracidade: a mão tocando na água. Aquele movimento, numa onda destas, para mim e mesmo tratando-se de um agora-ex-que-julgo-na-altura-era-top-wct, é o 'belisca-me para ver se estou acordado' de quem o faz. Ali, naquele ponto de contacto, está a 'pedra de toque' que torna esta imagem real.
Dei-me ao trabalho de fotografar a revista, cortando-lhe a saia de espuma que se estendia por outra página e com isso alguma veracidade, para ilustrar um texto de um amigo meu sobre surfar à noite. Podem ler aqui a forma como ele descrevia uma forma de reflexos, uma onda de luz.
Depois, numa surfada lá longe, de calções e golfinhos, a mais velha de duas irmãs que também estavam dentro de água avisa a mais nova que no inside o vento levantava paredes onde pôr a mão. Do alto dos seus 10, talvez 11 anos, aquele meio metro tinha outra dimensão e eu voltei a ver, naquele momento, o tal feiticeiro do ocidente...
Há pouco tempo lembrei-me da imagem de novo. A minha mulher, sobre o segredo dos canaviais, dizia-me que 'agora sim, agora é para toda a vida'. Mais que os votos de casamento e alianças, mais até que o próprio amor, é essa a promessa que ele nos trará, a de “pedra de toque”...
O segredo era realmente um filho, o nosso primeiro que, correndo tudo bem, nascerá por alturas da Quaresma. E espero, como um ligeiro vento leste pela manhã profetisa um mar como o desta foto, levantando paredes para alisar com a mão, nos venha iluminar como uma onda...
Acho que poucas coisas me darão mais prazer que explicar-lhe o que isso significa.
domingo, 11 de janeiro de 2009
Maria Saudade
Dizia não se lembrar de um dia assim, com a água tão fria, enquanto entre os quatro comentávamos que aquele caldinho vinha mesmo a calhar para tirar o pó ao fato curto de dois milímetros. Aproximou-se uma onda e ele empurrou-a pela prancha enquanto ela fazia o possível para agarrar aquele espelho líquido de meio metro sem que os seus movimentos sobrecarregassem o ventre onde trazia agora o segundo filho de ambos.
Já fora de água vi-a olhar para o Mar. Sabia que era a sua última surfada e vi-lhe já saudade no olhar. Saudade é o nome que lhe dei, Saudade é o nome que ela tem. Se a Saudade tivesse um rosto, para mim seria o de Maria ali, a olhar aquele Mar. Tirava-lhe um retrato, pintava um quadro se fosse pintor, e caso os meus dotes artísticos estivessem à altura da profundidade da sua expressão, então aquela seria, muito provavelmente, a minha obra prima. Intitulava-a -"Saudade de Ti, Tagahzout", haveria de estar exposta num museu europeu de arte e ali seriam vendidas réplicas em formato de postal a turistas de visita a Agadir.

Faz três anos que foi de férias para Tagahzout, três anos que conheceu Mohcine com quem aprendia a surfar, que se apaixonou, que deixou Portugal e foi viver para lá. Faz outros tantos que é mãe de Yasmine, uma criança linda.
-"É assim mesmo muito fria a água lá no inverno não é?" - pergunta-nos ela. Nunca cá surfou. Não conhece as ondas da costa alentejana e já ouviu falar muito bem de Peniche e dos seus Supertubos.
Trocou o Sul da Europa pelo Norte de África e vive o seu sonho pessoal talhando a pulso um caminho que quem a observa compreende ser o seu. E que não fosse.
A braços com um couscous sem segredos, no terraço de sua casa ordena qualquer coisa em espanhol para o cão que por ali se queda. Fala árabe com Mohcine, francês com Yasmine e espanhol com o rafeiro habituado assim a obdecer aos antigos donos que por ali o deixaram.
Há-de estar por estes dias a pensar que já não falta tudo. Todos os dias vê o Mar. E se, diz o povo sabedor, a criança nasce com cara do objecto de desejo da mãe quando não saciado, por certo ouvirá dizer - "...tão bonitinho...tem cara de point break de direita num dia de metro, glass".
Já fora de água vi-a olhar para o Mar. Sabia que era a sua última surfada e vi-lhe já saudade no olhar. Saudade é o nome que lhe dei, Saudade é o nome que ela tem. Se a Saudade tivesse um rosto, para mim seria o de Maria ali, a olhar aquele Mar. Tirava-lhe um retrato, pintava um quadro se fosse pintor, e caso os meus dotes artísticos estivessem à altura da profundidade da sua expressão, então aquela seria, muito provavelmente, a minha obra prima. Intitulava-a -"Saudade de Ti, Tagahzout", haveria de estar exposta num museu europeu de arte e ali seriam vendidas réplicas em formato de postal a turistas de visita a Agadir.

Faz três anos que foi de férias para Tagahzout, três anos que conheceu Mohcine com quem aprendia a surfar, que se apaixonou, que deixou Portugal e foi viver para lá. Faz outros tantos que é mãe de Yasmine, uma criança linda.
-"É assim mesmo muito fria a água lá no inverno não é?" - pergunta-nos ela. Nunca cá surfou. Não conhece as ondas da costa alentejana e já ouviu falar muito bem de Peniche e dos seus Supertubos.
Trocou o Sul da Europa pelo Norte de África e vive o seu sonho pessoal talhando a pulso um caminho que quem a observa compreende ser o seu. E que não fosse.
A braços com um couscous sem segredos, no terraço de sua casa ordena qualquer coisa em espanhol para o cão que por ali se queda. Fala árabe com Mohcine, francês com Yasmine e espanhol com o rafeiro habituado assim a obdecer aos antigos donos que por ali o deixaram.
Há-de estar por estes dias a pensar que já não falta tudo. Todos os dias vê o Mar. E se, diz o povo sabedor, a criança nasce com cara do objecto de desejo da mãe quando não saciado, por certo ouvirá dizer - "...tão bonitinho...tem cara de point break de direita num dia de metro, glass".
sexta-feira, 9 de janeiro de 2009
Silêncio
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............ 1 - Daniel Tadeschi
............ 2 - Dane Peterson
............ 3 - Jose Segundo
............ 4 - Kyle Lightner
............ 5 - Leroy Grannis
................. poesia de ................
Sophia de Mello Breyner Andresen

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............ 1 - Daniel Tadeschi
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............ 4 - Kyle Lightner
............ 5 - Leroy Grannis
................. poesia de ................
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